Escritos

 

 

 

 

 

 

Ser fã X ser famoso.

Foi uma choradeira. Quando ele saiu, quando elas o viram.

As garotas estavam reunidas em uma longa e dolorida espera. Achei que Luan Santana não sobreviveria. A multidão avançou sobre ele e teve até uma menina que foi levada junto, pendurada na parte de trás da van, porque não queria desgrudar de sua alma-gêmea.

Tenho várias histórias com celebridade. Há alguns anos, acompanhei a gata e grande atriz Ísis Valverde num evento na Bahia. Foi ela entrar que o povo passou a gritar incessantemente. Ísis não conseguiu conversar com as pessoas nem tirar fotos. Quando o ser humano se reúne em massa, está feita a loucura, para o bem ou para o mal. Saiu chateada porque não pode dar amor aos fãs – os próprios não deixaram.

Admito: eu mesma já sofri por uma. Por um! Por dois: Taylor Hanson e Caio Blat. Pelo primeiro, fui até os Estados Unidos, toquei na ponta do seu dedo mingo durante o show, escrevi um rolo de carta infindável para tentar ganhar uma promoção que outra venceu. Pelo segundo, escrevi um livro inteiro! Verdade. Eu, meus treze anos, uma espinha na ponta do nariz e a paixão pelo ator Caio Blat – cujos cabelos enrolados, na época, formavam sua sedutora carinha de garoto-anjo. Foi tudo culpa de um autógrafo. Caio assinou num guardanapo de papel nada menos, nada mais do que “para a gatíssima Annie, um beijo especial do Caio Blat”. Ignorei a minha espinha, aceitei os adjetivos em excesso e jurei que ele estava tão apaixonado por mim quanto eu por ele. A ilusão foi suficientemente real para que eu trocasse a piscina pelo computador e dedicasse o verão ao livro sobre o amor de uma criatura normal por um pop-star.

É muito provável que cada uma de vocês, leitoras, já tenha vivido ou ouvido uma história entre fã & ídolo. A fama é desejo comum entre os mais comuns seres da Terra. A gente admira alguém popular. Mais: a gente o deseja! Pior ainda: enlouquecemos para tê-lo pelos segundos que for. E por quê? O assunto, tão curioso, foi discutido inclusive numa disciplina de mestrado. Existe uma palavra que explica o motivo pelo qual o anônimo quer tanto o famoso. A palavrinha chama-se vazio, e reflete a necessidade da nossa alma de ser preenchida por algo maior. E nada maior, no mundo, do que ser reconhecido por milhares. Sair à rua e os rostos virarem em sua direção. Já pensou isso, na prática? Pode ser o fim da paz, mas, por outro lado, é o maior carinho que o nosso ego carente pode conquistar.

Annie Müller – 02.07.2013